Estação do Caminho de Ferro de Santiago do Cacém

O notável conjunto de azulejaria da estação dos Caminhos de Ferro de Santiago do Cacém - inaugurada em 21 de Junho de 1934 -, revela-se hoje como a maior e mais importante colecção de azulejos da cidade, quer pela variedade de estilos e adaptações revivalistas que evidencia, quer pela exigência funcional que lhes está atribuída, de que resulta uma plena sintonia com a arquitectura e com o espaço envolvente do edifício.

Deste conjunto fazem parte catorze painéis exteriores, provenientes de uma produção realizada pelo pintor Gilberto Renda, nos anos de 1931/32, na conhecida fábrica de Santa Ana. Porém, se as suas assinaturas ou abreviaturas - "g." ou "g. Renda" - aparecem em quatro dos painéis, já as abreviaturas "H.C", surgem repetidas cinco vezes, quatro das quais associadas ao seu nome e uma quinta vez grafada sobre a marca da fábrica de Santa Ana e sobre a data de 1932.

As cenas que representam foram quase todas inspiradas ou baseadas em fotografias de Hidalgo Vilhena (1870 - 1943), nomeadamente no painel que nos mostra a pesagem da cortiça, no que nos dá a ver a prova do vinho e a preparação de uma refeição na Feira do Monte, ou no que nos retrata a abertura anual do corredor de ligação da Lagoa de Santo André ao mar, imagens que o pintor comodamente utilizou no seu atelier demarcando-se, assim, de grande parte do espírito criativo subjacente à pintura dos temas retratados.

Por outro lado, a feição recriada nos painéis regionalistas ficou fortemente associada a emolduramentos neobarrocos e neorococós típicos da azulejaria portuguesa dos anos 20, 30 e 40, que resultaram em interessantes e coloridos enquadramentos fictícios realizados a partir de ornatos retirados de concheados, flores e elementos arquitectónicos.