Hospital do Espírito Santo

Segundo alguns autores, a criação do hospital liga-se à fundação da própria Misericórdia de Santiago do Cacém, embora o edifício encontre as suas origens no hospital medieval do Espírito Santo, construção mandada erguer na primeira metade do século XIV, por vontade da bizantina D. Vataça Lascaris.

Com o terramoto de 1755, o edifício então existente sofreu danos, circunstância que levou a que, na década seguinte, fosse construído um novo edifício. De facto, em 1760, a Misericórdia conseguiu erguer um novo hospital, embora também a Câmara Municipal passasse a partilhar as instalações, acabando por se instalar no local das antigas enfermarias. Contudo a degradação acelerada das "velhas casas da câmara" tornou impossível a realização de quaisquer actos públicos, facto que, em 1770, levou a municipalidade a alugar o espaço à Misericórdia, para maior alargamento da área hospitalar. Em 22 de Julho de 1780, a Misericórdia acaba mesmo por comprar os "pardieiros municipais" que até então trouxera de aluguer, para aumentar o hospital, o que foi efectuado pela quantia de 10$000 réis.

Nas primeiras décadas do século XIX, as instalações tornaram-se cada vez mais reduzidas e mais carenciadas para o número de doentes que procuravam o hospital, circunstâncias que, em 1842, foram colmatados com a cedência de um terreno para a construção de um novo hospital e, simultaneamente, com a oferta do dinheiro necessário para a sua construção, obra do 1.º Conde de Bracial. No entanto, no ano de 1844, surgiram obras de reedificação no edifício, que acabaram por destruir uma varanda que comunicava com a praça, e onde primeiramente estava a famosa lápide dedicada ao Deus Esculápio.

Actualmente, o edifício destaca-se pela fachada principal, espaço onde se promoveu uma frontaria algo imponente, com um pano mural recortado por uma porta acesso, pela " roda de enjeitados" e por fenestrações, elementos rematados por um frontão em curva e contracurva, embora recortado no seu remate. Por outro lado, o testemunho mais antigo e interessante do edifício - ou a ele ligado - prende-se com uma dependência situada abaixo do nível do solo, espaço onde se podem observar três colunas anãs oitavadas.

Nos próximos tempos, no espaço do antigo hospital do Espírito Santo nascerão, com projecto do Arq. Souto de Moura, as instalações do futuro Museu de Arte Sacra de Santiago do Cacém, em virtude da parceria entre a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, a Diocese de Beja, o Instituto Português do Património Arquitectónico e o Instituto Português de Museus.